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Historial
Historial

 

 

Cooperativa Agrícola de Barcelos, CRL

 

 

 

Recordar o Passado 

 

Cuidar do Presente  

 

Exigir no Futuro

 

 

Resenha histórica 

 

Foi em sete de Dezembro de 1931 que, em teoria, nasceu a Cooperativa Agrícola de Lacticínios da Ribeira do Neiva, sendo, nessa data, a 2ª Cooperativa que se criou no continente, existindo então mais três nos Açores. Mas é em Fevereiro de 1932 que se dá o início da actividade, sendo registada na Secretaria do Registo Comercial da Comarca de Barcelos em 11 de Julho do mesmo ano. Os seus sócios fundadores são 30 e a sua sede é em Aldreu, tendo como área social freguesias de três concelhos – Barcelos, Esposende e Viana do Castelo – a saber: 

 

Barcelos: Aldreu, Fragoso, Tregosa e Palme.

 

Esposende: Forjães, Vila-Chã e Curvos.

 

Viana do Castelo: Capareiros, Alvarães e Vila de Punhe. 

 

Admite, até ao fim do 1.° ano de sua actividade, 107 sócios, pelos quais subscreve títulos de capital com o valor nominal de 25$00 cada. Logo no primeiro ano, se verificam alguns abandonos e expulsões, pelo facto da organização demonstrar já uma vincada intolerância para os prevaricadores, havendo já muitas exigências de qualidade dos produtos e denunciando os produtores sem escrúpulos, que adicionavam água ao leite. 

 

Em Março de 1935, a Direcção, na altura presidida pelo sr. António Caetano Carvalho de Queirós, estabelece as primeiras diligências para a obtenção de terreno para a construção da sua sede própria, solicitando à Junta de Freguesia de Aldreu a cedência de um terreno baldio com a área de duzentos metros quadrados. 

 

Em Dezembro desse mesmo ano, é então adquirido o primeiro bem imóvel da Cooperativa, que não corresponde ao espaço referido atrás, mas sim a uma área onde se propunham construir currais para leitões e vitelos, compra esta que, na altura, custou 4700$00 Esta área era composta por 3 balcões, dos quais se desconhece a superfície, mais 300 m2 que lhes foram anexados. 

 

A vida não era nada fácil, tendo surgido ao longo do tempo, para agravar a situação, algumas falências de empresas a quem a Cooperativa fornecia bens, sobretudo manteiga. Destaca-se aqui a falência ocorrida em 1939, da Casa Fernandes e Almeida, com sede em Coimbra, que deixou um débito de 15016$00, causando, na altura, grande preocupação nos seus associados e pondo mesmo em perigo o futuro da Cooperativa, ao ponto de obrigar, em Assembleia Geral, num acto de profunda solidariedade, reduzir o pagamento do leite à produção de $40/litro para $30/l, deixando os seus responsáveis e os empregados mais qualificados de receber os seus vencimentos até que a Cooperativa visse a sua situação melhorada. Está escrito que este sacrifício representaria um empréstimo sem juros e a longo prazo, reembolsável logo que possível. 

 

No ano de 1939, o Estado, através da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, subsidia a Cooperativa em 10000$00, para auxílio da construção da sua sede, que sendo considerada verba exígua, decidiram pedir outros auxílios, concretamente ao Fundo de Desemprego. Em 20 de Julho de 1940, sendo já presidente da Direcção Pe Joaquim Gonçalves Gomes Beirão, é deliberado trocar o terreno que existia por outro mais adequado à implantação das instalações definitivas da Cooperativa, terreno este que, sendo pertença de José Bernardino Gonçalves de Sá, ao tempo Secretário da Direcção, deu uma prova de honestidade ao afastar-se voluntariamente de seu cargo, sendo o seu lugar ocupado pelo seu substituto nos Órgãos Sociais, para que o negócio fosse efectuado com toda a isenção que ele merecia, na defesa dos interesses da Cooperativa.  

 

Neste mesmo ano, por determinação da Junta Nacional dos Produtos Pecuários, é tabelado o leite ao produtor em $55/l. A Direcção, porque entendia dever pôr em prática o ideal cooperativo, decidiu pagar não a $55 mas $60 o litro de leite. Foi-lhe todavia posteriormente proibida a prática deste preço, proibição esta devido a queixas apresentadas por indústrias privadas do sector, que acusavam a Cooperativa de instabilizar o mercado. Medida importante, pelo significado que ela representa, foi tomada em 1942, cuja Direcção, então presidida por Manuel Joaquim Boaventura, decide expulsar todos os sócios que, produzindo leite, não o entregavam na sua Cooperativa, defendendo assim não somente esta como aqueles que nela confiavam.  

 

A revista quinzenal «O LAVRADOR» n.º 684, com sede no Porto, bem como o «NOTICIAS DE BARCELOS» e o «BARCELENSE», de onze e 20 de Fevereiro de 1943, respectivamente, tiveram apreciáveis elogios à Cooperação Agrícola e, como exemplo a seguir, referiram a Cooperativa Agrícola de Lacticínios da Ribeira do Neiva. Nessa data, foi exarado um voto de louvor a estes jornais, dando do facto conhecimento aos seus directores. 

 

No aspecto organizacional era esta Cooperativa exemplar, pela forma como tudo registava e publicamente apresentava. É curioso o 1. ° «Balanço» da Cooperativa, de 31 de Dezembro de 1932, com um Activo de 16 822$30, assim discriminado: 

 

Activo

Máquinas e utensílios                                                       3 136$50

Máquinas e utensílios do Estado                                      3 004$00

Dinheiro em Caixa                                                                119$00

Valor da manteiga existente                                                602$00

Exploração de leitões - Valor de 72 porcos                     3 137$50

Devedores à Cooperativa por manteiga fornecida           6 823$00

Activo Total                                                                   16 822$30 

 

Passivo

Máquinas e utensílios do Estado                                      3 004$00

Crédito de Sócios pelo leite fornecido em Dezembro       6 565$75

Salários em atraso de Dez.                                                 732$50

Abonos por suprimentos                                                  1 385$75

Renda em Atraso                                                                120$00

Contribuição e Impostos                                                   1 093$00

Fundo de Reserva Legal                                                     217$80

Fundo de Reserva Especial                                                635$50

Capital Social Subscrito                                                    3 050$00

Total do Passivo                                                          16 822$30 

 

Em Agosto de 1936 é deliberado mandar executar o projecto de construção para a nova sede. Uma decisão curiosa, que repõe a verdade dos compromissos cooperativos, é tomada em 26 de Janeiro de 1941, sendo então aprovada uma proposta apresentada por António Caetano Carvalho de Queirós, para indemnizar os sócios que, por motivos de falência da Firma Fernandes & Almeida, viram os seus proveitos prejudicados para salvarem a continuidade da Cooperativa, recebendo menos 25% do preço normal da época.

 

Nesta Assembleia Geral, é dada conta das dificuldades da Cooperativa em obter ajudas do Estado para a construção da nova sede. 

 

No ano de 1942, em Assembleia Geral de 29 de Setembro, são alterados os Estatutos, destacando-se das alterações introduzidas, uma nova redefinição da sua área social: 

 

Barcelos:Aborim, Aguiar, Aldreu, Creixomil, Durrães, Feitos, Fragoso, Palme,Perelhal, Quintiães, Tregosa, Vila Cova, Vilar do Monte. 

Esposende:Antas, Curvos, Forjães, Gemeses, Palmeira, Vila Chã. 

Viana do Castelo:Alvarães, Capareiros, Neiva S. Romão, Vila de Punhe. 

 

É nesta nova redacção dos Estatutos dada outra periodicidade aos mandatos dos Corpos Sociais, que passam a ter a duração de 3 anos. 

 

“A 3 de Abril de 1949, é decidida a adesão à União de Cooperativas do Norte Litoral, com sede em Vila do Conde, propondo-se, com mais duas cooperativas congéneres, fundar a referida União ”

 

Pelo seu conteúdo eminentemente significativo, não podemos deixar de reproduzir um extracto de uma mensagem dirigida à Assembleia Geral, pelo Presidente do Conselho Fiscal, Dr. Porfírio António da Silva, que, por motivo de doença, se viu forçado a estar ausente da Assembleia Geral em 30 de Janeiro de 1944: «E assim perante um exemplo tão salutar e infelizmente tão raro de associação agrícola, parece cabido e justo o meu entusiasmo. Mas não podemos ficar por aqui; é preciso continuar a grande obra iniciada; é preciso sobretudo fazer convencer, de uma vez para sempre, os associados de que a Cooperativa é deles; de que ela é o resultado da sua associação; de que é a reunião das suas vontades e até dos seus interesses. Por tudo isso, é preciso fazer reunir à volta dela a boa vontade de todos. Com o concurso e boa vontade de todos havemos de ter dentro em breve, creio-o, uma sociedade cooperativa com o objecto mais amplo, instalada em edifício próprio. E todos os associados verão então com orgulho a sua obra – porque ela a todos, pertence.»  

 

Em 1948, decorridos então já alguns anos sem nada de positivo acontecer, mas sempre numa perspectiva de progresso, é em Assembleia Geral de 20 de Junho colocada a concurso a sede da Cooperativa, deixando, a partir desta data, dela se falar e a mesma, infelizmente, nunca chegou a ser edificada. 

 

A 3 de Abril de 1949, é decidida a adesão à União de Cooperativas do Norte Litoral, com sede em Vila do Conde, propondo-se, com mais duas cooperativas congéneres, fundar a referida União. 

 

A partir desta data, começa a ser frequente na Cooperativa a presença do Senhor Eng. Agrónomo Manuel Simões Pontes, que, no exercício das suas funções públicas, soube dar a esta organização um carinho e dedicação muito especiais, tornando-se um verdadeiro apóstolo do cooperativismo, sendo, por isso, frequentemente agraciado e louvado. 

 

Em 20 de Dezembro de 1975, Direcção presidida por José Maria Gonçalves Vila Chã, é iniciada uma nova era para esta Cooperativa. Com a alteração, no país, da situação política, são criadas as condições para a afirmação do movimento cooperativo. Os Estatutos da Ribeira do Neiva são profundamente alterados, é introduzida uma forte modernização naqueles que eram os mais antigos estatutos de Cooperativas Agrícolas Portuguesas, passando a Cooperativa a designar-se de COOPERATIVA AGRICOLA DE BARCELOS e a sua área social a corresponder ao Concelho de Barcelos. É inegável o apoio que neste período foi dado pelo Sr. João dos Anjos Lopes, gerente da Agros, apoio este que foi decisivo para que a transferência fosse possível. 

 

“Adere, em 1980, à UCANORTE e à CORCOOP e em 22 de Dezembro, sendo presidente da Direcção António de Araújo Rios Novais, é tomada uma das decisões mais importantes, que revolucionou, no sentido positivo, a vida da Cooperativa: a compra da Quinta do Sol ”

 

Adere, em 1980, à UCANORTE e à CORCOOP e em 22 de Dezembro, sendo presidente da Direcção António de Araújo Rios Novais, é tomada uma das decisões mais importantes, que revolucionou, no sentido positivo, a vida da Cooperativa: a compra da «Quinta do Sol», onde se vieram mais tarde a construir armazéns, estábulos e a instalar serviços. É de todos os bens, aquele que acrescentou mais valor patrimonial à Cooperativa. Permitiram que, em 16 de Dezembro de 1982, Direcção de João Herculano Rodrigues Lemos, actual presidente, fosse decidido aprovar, em Assembleia Geral, a construção do armazém central em Vila Boa e, em 31 de Maio de 1984, decidir pela aprovação do Centro de Recria para bovinos de leite, de forma a fazer, de uma forma positiva, a exploração agrícola em favor dos sócios. 

 

“Após a decisão tomada no ano anterior, a Cooperativa adquire em 1981 a Quinta do Sol, um terreno com 140 mil metros quadrados, localizado em Vila Boa.

Aqui foram instalados um Centro de Recria de novilhas de alta qualidade genética para a produção de leite, os armazéns centrais e posteriormente, os serviços sanitários para a pecuária do nosso concelho”

 

Em 30 de Agosto de 1984, decidiu-se pela aquisição de terreno, na freguesia de Pedra Furada, para aí serem construídos armazéns para apoio dos agricultores associados do sul do Concelho. 

 

A 23 de Junho de 1988, decidiu a Cooperativa criar mais um serviço, transformado em 5 de Julho de 1990 em Secção do Agrupamento da Defesa Sanitária de âmbito concelhio. 

 

Finalmente, em 9 de Julho de 1992, é deliberado, em Assembleia Geral, construir um armazém no terreno em Aldreu, que a Cooperativa Ribeira do Neiva adquiriu para a construção da sua sede, que nunca veio a concretizar-se.

 

Só com a ajuda de todos os associados, desde a sua fundação até aos dias de hoje, foi possível construir esta grande obra. 

 

Em Abril de 2003 surgem duas novas secções de interesse económico para os membros da Cooperativa, designadamente a secção de Produção e Protecção Integrada de Culturas e a secção de Serviços, Organização Administrativa e Contabilidade.) 

 

Em Julho de 2006 são concluídas as obras de ampliação e modernização dos armazéns centrais em Vila Boa e dos serviços envolventes. 

 

Em 1 de Junho de 2007 tem lugar a abertura das comemorações do 75.º Aniversário da Cooperativa Agrícola de Barcelos CRL., que mereceu a honra da presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.   

 

A sua Missão

 

A Cooperativa Agrícola de Barcelos, CRL., fundada nos primórdios do cooperativismo agrícola português como Cooperativa Agrícola de Lacticínios da Ribeira do Neiva, cumpriu com exemplar rigor os seus objectivos na primeira fase da sua vida que decorreu até 11 de Dezembro de 1975, terminando nessa data um período de dificuldade e de menor afirmação, mas tendo sempre presente a herança humana e social desses homens que a fizeram surgir e a história irá sempre recordar. 

 

Em 1975 e na sequência da alteração dos estatutos e de assumir legalmente como área social todo o concelho de Barcelos, foram estabelecidas negociações com a Cooperativa Agrícola Leiteira do Concelho da Póvoa de Varzim para sair da nossa área, o que não aconteceu na totalidade, reservando-se para esta um reduzido número de freguesias de elevada capacidade para a produção de leite. Não existem registos de qualquer acordo, de quem coordenou a acção e se houve reservas sobre a forma como o memo foi estabelecido. 

 

A sua existência contribuiu para “lançar a semente” do movimento cooperativo leiteiro na sua área social, complementada no concelho de Barcelos pela Cooperativa Agrícola Leiteira do Concelho da Póvoa de Varzim, que foi sucessivamente alargando a sua área social e a sua influência no concelho de Barcelos, mesmo após fundarem em conjunto com a Cooperativa Agrícola Leiteira do Concelho de Vila do Conde a União de Cooperativas de Produtores de Leite do Norte Litoral. 

 

A partir do início de 1976 e lutando contra esta adversidade e dentro de uma organização socialmente muito frágil por deficiente ou mesmo nula formação cooperativa, instalada num edifício que suportou uma organização com uma imagem muito negativa junto da Lavoura, foi necessário desenvolver um trabalho de divulgação para compreensão de vivência cooperativa, com uma cultura de proximidade e de envolvimento de todos os seus membros, perseguindo um conjunto de objectivos, com grande expressão económica, mas orientados sempre para o Homem, elemento central de toda a actividade.  

 

Sendo o desenvolvimento cooperativo resultado de uma actividade estruturada em vários níveis, a Cooperativa afirmou a sua presença em instituições de grau superior que foram surgindo, designadamente na Ucanorte, na Ucadesa e na ABLN, de forma a subtrair destas instituições todas a vantagens que surgem em benefício dos cooperadores.  

 

Com o conhecimento acumulado e com a estrutura de recursos humanos que possui, procura ajudar em todos os domínios que a sua capacidade de resposta lhe permite, em particular na área dos serviços e do apoio técnico.  

 

Desta forma, a Cooperativa continua a ter a Missão de sempre, quaisquer que sejam os meios utilizados, dando todo o apoio aos cooperadores e às suas explorações, que se concretiza em cada uma das secções existentes, contribuindo assim para a satisfação das suas necessidades económicas, sociais e culturais.  

 

Apesar da instabilidade sempre presente no sector agrícola e da contínua desagregação que se observa, a Cooperativa Agrícola de Barcelos propõe-se prosseguir a sua actividade com toda a energia, para que este tempo de menor entusiasmo seja rapidamente ultrapassado.  

 

Para atingir esses propósitos, esperamos que essa responsabilidade seja partilhada por todos, cooperadores, cooperadores dirigentes e trabalhadores. 

 

Assim cumprirá melhor a sua Missão

 


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